24/07/2014

Opinião "Para Sir Phillip, Com Amor" de Julia Quinn


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Sir Phillip sabia que Eloise Bridgerton tinha já 28 anos e era, pois claro, uma solteirona. Foi por isso mesmo que pediu a sua mão em casamento. Sir Phillip partiu do princípio de que Eloise estaria desesperada por casar e não seria exigente ou caprichosa. 
Só que… estava enganado. No dia em que ela lhe aparece à porta, torna-se óbvio que é tudo menos modesta e recatada. 
E quando Eloise finalmente para de falar, ele percebe, rendido, que o que mais deseja é… beijá-la. 
É que, quando recebeu a tão inesperada proposta, Eloise ficou perplexa. Afinal, nem sequer se conheciam pessoalmente. Mas depois… o seu coração levou a melhor e quando dá por si está numa carruagem alugada, rumo àquele que pensa poder ser o homem dos seus sonhos. Só que… estava enganada. Embora Sir Phillip seja atraente, é certo, é também um bruto, um rude e temperamental bruto, o oposto dos gentis cavalheiros que a cortejam em Londres.

Mas quando ele sorri… e quando a beija… o resto do mundo evapora-se e Eloise não consegue evitar a pergunta: será que este pesadelo de homem é, afinal, o homem dos seus sonhos?


*Contém Spoilers*

Desta vez tenho de começar esta opinião com os meus sinceros agradecimentos às Edições Asa por me ter disponibilizado este quinto volume das Crónicas da família Bridgerton. 

Admito que esperava algo mais arrebatador? desta história entre Eloise e Phillip. No entanto, o facto de serem perfeitos desconhecidos, a forma como se conhecem ou como tomam consciência da existência um do outro é das formas mais absurdamente românticas que me pode passar pela cabeça. (Lembra-me, de várias maneiras a forma como eu conheci o meu marido). Se bem se recordam, até à divulgação da identidade de Lady Whistledown, todos os capítulos começavam com excertos das crónicas da referida senhora. Agora que Lady Whistledown se reformou definitivamente, os capítulos começam com excertos de cartas escritas pela Eloise. A meu ver, foi muito bem pensado uma vez que demonstra coerência em relação ao "modus operandus" nos outros volumes.

O modo como o romance acontece é no mínimo diferente. Partir em busca de alguém que apenas conhecemos por carta, é um passo que Eloise resolve dar em prol da sua própria felicidade e do seu próprio futuro. Acabo por entender a súbita vontade que ela tem em casar-se, agora que a sua companheira Penelope casou com o irmão Colin. É compreensível que Eloise se sinta posta de parte agora que tem vinte e oito anos e já não é pedida em casamento como foi outrora. Foi um acto de muita coragem da parte dela.

Conhecem Sir Phillip? Eu sei que não. Eu também não conhecia (obviamente) e gostei do que conheci. Um homem honesto, trabalhador, inteligente e sensível. Passou por grandes traumas na sua infância e juventude e agora, viúvo e sozinho, fica a braços com os seus dois filhos gémeos de oito anos, Oliver e Amanda. São estas duas crianças que fornecem as cenas que quase me fizeram cair da cadeira de tanto rir. Eloise com toda a sua graça e elegância consegue fazer frente às duas "pestes" e de uma maneira subtil e inteligente consegue que pai e filhos se entendam e se percebam entre si.

Apesar de todo o humor patente ao longo do livro, é de salientar que achei a leitura um pouco mais "séria". Talvez por abordar temas delicados. Traumas, medos, violência e a tomada de consciência dos personagens de que algo não está bem. 

O facto de Phillip querer uma esposa apenas para se livrar das responsabilidades inerentes à mulher, incluindo lidar com os filhos, deu-me a volta às entranhas. Embora soubesse muito bem que mais cedo ou mais tarde ele haveria de admitir o seu amor por Eloise. Quem não se apaixonaria por uma mulher como ela? Uma mulher segura de si, inteligente, com amor à vida e sobretudo com um coração enorme. Tem também uma língua afiada e os despiques que ela tem com Phillip só servem para espicaçar mais a relação atribulada entre os dois.

Gostei imenso das crianças. Travessas, espertas e ladinas. No entanto, por terem perdido a mãe há menos de nada são crianças tristes que tentam colmatar a tristeza com travessuras. Precisam do pai e ele, por não saber como lidar com eles, coloca-se à parte de tudo deixando-os em mãos alheias.

Não podia deixar passar o ponto alto deste volume! E desculpem-me o spoiler, mas tem mesmo de ser e depois quando lerem o livro vão perceber-me completamente. O momento em que não um, não dois, não três mas quatro irmãos Bridgerton entram de rompante pela sala adentro de Sir Phillip a meio do jantar, para resgatar a honra da irmã. Uma palavra: Hi.La.Ri.An.Te! Foi das cenas mais deliciosas que já tive o prazer de ler e imaginar!!! Melhor ainda foi quando Phillip, tenso como uma corda, lhes pede que se despachem a partir-lhe as pernas, sem mais demoras. OMG! Impagável! Nem em um milhão de anos poderia imaginar cena mais absurdamente cómica! Mesmo que o livro não valesse nada, só esta cena valeria as cinco estrelas! 

Desculpem-me por favor o spoiler! Sorry, sorry!! Mas tinha mesmo de desabafar! :p

Para rematar esta opinião tenho de admitir que dos cinco volumes que li até agora, este foi com o que mais me identifiquei. Pelas cartas, pela forma como eles se conhecem (completamente às cegas), por ser mãe e saber reconhecer quando uma criança não está feliz tal como aconteceu com Eloise. Não vou pôr-me aqui a contar a história da minha vida, mas uma coisa vos digo: A forma como eles se conhecem? Tenho orgulho em poder dizer que praticamente fiz o mesmo que ela, só que em épocas diferentes e com meios diferentes. A minha história de amor em nada fica a perder para a de Eloise. *__* 

Agora que venha a menina Francesca porque estou deserta de a conhecer melhor!


13 comentários:

  1. O da Francesca decepcionou-me muito :( O da Eloise está no meu TOP2

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    1. A sério Cata? :(

      Leste em Inglês n foi? Estou tentada a ler também em Inglês.

      Adorei este por me identificar em muitos aspectos com a história deles os dois!

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    2. Sim, li em inglês

      A maior parte das pessoas adora o da Francesca, mas pessoalmente achei tão deprimente -_- e forçado. Preferia a Francesca com o John

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    3. Pois... é capaz mesmo de ser um pouco deprimente exactamente por ser sobre ela que perdeu o marido tão cedo. Estou curiosa em relação a ela porque ela é referenciada várias vezes mas nunca se soube muito sobre ela...

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    4. Agora ainda deixaste-me mais curiosa.... n sei se avanço para ler em inglês ou se ressaco um bocado e espero pela publicação cá :p

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    5. muahahahaha

      Espera um pouco. Aprecia a boa onda que esse transmite ;)

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    6. loool..

      estava a pensar no mesmo... vou-me dar ao luxo de ressacar um bocado... afinal li os últimos 4 volumes de uma assentada só!!

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  2. Olá,

    mais um que eu quero. Os anteriores não me tinham despertado muita curiosidade, mas este sim. Ou seja, tenho de ler os outros para chegar a este =D

    Gostei da opinião.

    Bjs e boas leituras

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    1. Não te despertaram curiosidade mas quando começares a lê-los n queres outra coisa :p

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  3. Olá! Gostei muito de sua resenha. Acabo de terminar o livro de Colin e mal posso esperar para iniciar a leitura do quinto volume. Moro no Brasil e aqui ainda não fora lançado, poderias por gentileza me dizer como o leu? Ficaria muito agradecida! Meu email é lorenmota@hotmail.com.

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  4. Como é que eu deixei passar esta opinião? LOL xD
    Enfim, a cena foi mesmo hilariante (o que me lembra que eu não escrevi opinião).

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    1. Não faço ideia de como deixaste-a passar uma vez que foste tu que me viciaste em Quinn e em romances de época :p

      A cena é LINDA... agora estava a reler a minha opinião e parti-me a rir quando pensei na cena loool

      Gostaste da opinião? ;)

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